Muitos sonham - e até esperam que um dia vire realidade - por um GTA ambientado no Brasil, nas ruas (e favelas) da nossa Cidade Maravilhosa.
Se isso dependesse do criador da série,
David Jones, o próximo episódio de GTA nos novos consoles (por ora chamado apenas de
GTA IV)
teria como cenário o Rio de Janeiro.
(In?)Felizmente, David Jones não está mais no comando da DMA Design - hoje chamada de Rockstar North. Jones agora tem sua própria produtora, a Real Time Worlds, que está produzindo o clone de GTA
Crackdown, e também supervisiona o mega-projeto online
All Poins Bulletin (outro jogo aos moldes da série criada por David), da sul-coreana Webzen.
Grand Theft Auto IV: Rio teria a vibração ideal para um jogo da nova geração, "algo que você pode capturar... pense na música que é associada à essa cidade e ao país", disse Jones à revista oficial do Xbox360 na Grã-Bretanha. "Eu gosto da vibração e da vida nos jogos, mas você sabe que a maioria das cidades do mundo são chatas e frias. San Andreas, Los Angeles, que seja. Elas não são tão excitantes", prossegue o guru.
Bem, Jones talvez esteja certo ao dizer que o Rio de Janeiro seja uma cidade "quente". Todos sabem que o povo carioca é receptivo, caloroso e amicíssimo. Temos o samba e o carnaval, as belas mulatas semi-nuas nas praias, o corcovado e o Cristo Redentor... Mas sejamos sensatos: GTA é um jogo violento e extremamente criticado fora da indústria de games (algumas vezes, até mesmo dentro dela). O que veríamos em um GTA IV: Rio seria pano de fundo para acabarmos de vez com qualquer esperança de que a indústria de games no Brasil cresça da mesma forma como cresceu no Chile e no México.
Basta lembrar o que aconteceu com Os Simpsons e o fatídico episódio em que eles vêm até o Brasil/Rio de Janeiro. À época, houve pesadas críticas de FHC, do prefeito e do secretário de turismo da cidade. Houve até tentativa de processar a Fox e os criadores do desenho!
Para nós, gamers, um jogo baseado no Brasil (em qualquer cidade) é até mesmo uma honra, seja ele violento ou não. O Rio mesmo já foi palco para Driver 3 e SOCOM 2, só para citar os mais recentes casos, sem contar com o famoso mapa CS_Rio para Counter-Strike...
Mas nossos políticos e a sociedade brasileira não estão preparados para ver tal "homenagem" sendo feita. Eles não entendem que aquilo é apenas um jogo. Para eles, a realidade das ruas sendo retratada em um "video-game" incita à violência, alienam os jovens, etc.
O gozado é que quando nós, brasileiros, retratamos o país em que vivemos, todos acham normal. Pegue por exemplo o excelente filme
Cidade de Deus, que inclusive é citado por David Jones: "Rio de Janeiro seria perfeita (...) do histórico subúrbio e do estádio do Maracanã até a enorme estátua de Cristo cravada precariamente nas montanhas. E também com suas paisagens, de um lado uma imensa floresta e do outro as cores e o carnaval das
conhecidas favelas, brilhantemente retratadas no filme Cidade de Deus. Há um paraíso criminal (gangsters) logo alí.".
Nada contra o filme: pra mim, é o melhor já produzido neste país. Ele é tão perfeito e realista que passa a (real) imagem dita logo acima por Jones. Nós temos orgulho de Cidade de Deus, mas o Brasil expurgaria GTA IV: Rio.
Para o bem da indústria de games neste país, para o bem dos jogos "violentos", que nunca tenhamos um GTA ambientado no Brasil.
Ou, que façam melhor: deixe-nos produzir um GTA. Se o produto é brasileiro, aí então todos veriam com bons olhos. Mesmo sendo violento. O importante é impressionar os gingos de nossa capacidade técnica, mostrando nossa violência e miséria. Dando o maior exemplo do abismo que separam as classes sociais nesse país.